RODRIGO ANTAS – A voz do Bart Simpson no Brasil

Rodrigo tem 25 anos, 17 de profissão e hoje faz sucesso ao dublar o Bart desde 1997

Bom humor, carisma e muita espontaneidade. Assim pode ser descrito este jovem dublador, mas que já tem um excelente currículo em mãos. Assim é Rodrigo Antas, que no Brasil dá a voz a muitos personagens da TV e do cinema, entre os quais, destacam-se o Bart, de Os Simpsons, e o Drew Rock, de Todo Mundo Odeia o Chris.

Rodrigo tem 25 anos e 17 de profissão. Nunca chegou a fazer teatro, mas em 1994, foi convidado pela Herbert Richers a participar das gravações da novelinha “Carrossel das Américas”, para o SBT. Na ocasião, ainda criança, sua missão era dar voz ao japinha Kokimoto.

“Diferente da primeira versão da novela, que foi dublada por adultos, os diretores queriam crianças mesmo. O elenco já estava quase formado, faltando apenas um. A Marlene Costa, que dublava a professora Helena ia dirigir a novela mais uma vez.  Ela é madrinha de uma prima minha. E, como ela já tinha me visto numa festa de aniversário, me achou ‘extrovertido’ e pediu à minha mãe que me levasse ao estúdio para fazer um teste. Passei”, disse.

Daí em diante, Rodrigo fez vários personagens, até que em 1997, foi convidado a fazer parte do novo elenco de dublagem de Os Simpsons, onde ele daria sua voz ao Bart. Ele explicou que nunca ficou claro o porquê da redublagem, logo no auge da 8ª temporada. O mais difícil foi manter o ‘nível’ do personagem, já que o antigo dublador, Peterson Adriano, fazia um grande sucesso.

“Foi absurdamente difícil. O Peterson sempre foi considerado um fenômeno desde criança e, apesar dos meus 10 anos de idade, já tinha noção da dimensão do que era Os Simpsons. Voce substituir alguém em qualquer coisa já é uma situação delicada. Imagine substituir um trabalho perfeito! Na época todos que entraram sofreram com comparações e comigo não foi diferente”.

“Não fui eu!”

Rodrigo dubla o Drew, de Todo Mundo Odeia o Chris, desde a 2ª temporada da série

Outro personagem marcante na carreira de Rodrigo é o Drew Rock, personagem de Tequan Richmond na série de Todo Mundo Odeia o Chris. O dublador conseguiu o personagem após um processo judicial, que fez com que a VTI substituísse todo o elenco infantil. Assim, Rodrigo acabou fazendo um excelente trabalho, reconhecido por todos os fãs da série.

“Dublar o Drew foi ótimo pra mim. A minha voz não é caricata, mas muitas pessoas chegam a reconhecer. Só que me associam mais ao Bart Simpson do que com outro personagem. Eu gosto muito disso”.

Outros trabalhos

Rodrigo também deu sua voz a personagens como: Tony (Andrew McFarlane) – Eu, a Patroa e as Crianças; IzzyDigmon; Seth (Jonah Hill) – Superbad; IrwinAs Terríveis Aventuras de Billy e Mandy; Cam Gigandet em “The O.C – Um Estranho no Paraíso“, “Jack e Bobby” e “Padre“; HaroldIlha dos Desafios;

 

Personagens dublados por Rodrigo: Seth (Jonah Hill) em “Superbad”; Izzy, em Digmon; Cam Gigandet em vários filmes e Irwin – As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy

Confira abaixo a entrevista completa:

***

Nossa Versão – Rodrigo, você está com quantos anos? E destes, quanto tempo de profissão?

Rodrigo Antas – 25 anos de idade e 17 de profissão

N.V – Você já começou direto na dublagem ou passou primeiro pelo teatro?

Rodrigo – Comecei direto na dublagem. Nunca fiz teatro. Comecei em 1994, na Herbert Richers. Na época iria começar as gravações de uma 2ª versão da novela Carrossel (“Carrosel das Américas”). Na época tinham decidido que adultos não dublariam crianças nessa novela como havia sido na 1ª versão e não tinha tanta crianças assim na dublagem ainda. Assim, encaixaram as crianças no elenco, mas faltou um menino. A Marlene Costa, que dublava a professora Helena, iria dirigir a novela mais uma vez. Ela é madrinha de uma prima minha e numa festa de aniversário, ela me achou “extrovertido” (risos). Então pediu à minha mãe que me levasse à Herbert Richers pra fazer um teste, para ouvir minha voz, minha leitura, etc. Passei no teste para fazer o japinha da novela (Kokimoto). Fiz só essa novela durante quase um ano, até começarem a aparecer outras coisas.

N.V – Qual foi seu primeiro papel de destaque em uma produção estrangeira?

Rodrigo – Eu fiz uns dois protagonistas desses filmes de “Sessão da Tarde” que passam até hoje, que sinceramente, não me lembro os nomes (risos). Até que em 97 comecei a fazer o Bart (de Os Simpsons).

N.V – Como foi a escolha para o papel? Foi muito concorrido?

Rodrigo - Bom, eu juá dublava bastante na VTI (hoje extinta), com diretores antigos como Júlio César, Waldir Santana e Célia Guimarães. Não sei bem como foi o processo pra substituir o Peterson Adriano (que era o dublador do Bart desde o início da série). Mas lembro-me que na época a família inteira foi trocada. Mas quem me colocou pra fazer o Bart foi o Julio César, que assumiu o Homer na época e a direção da série em 97, 8ª temporada.

N.V – De início, foi fácil encarar o personagem, uma vez que ele já tinha uma ‘cara’ por conta do Peterson?

Rodrigo – Pelo contrário, foi absurdamente difícil.  Peterson sempre foi considerado um fenômeno desde criança e apesar dos meus dez anos de idade, eu já tinha noção da dimensão do que era “Os Simpsons” já naquela época. E eu, com apenas três anos de carreira, foi bem difícil. Você substituir alguém em qualquer coisa já é uma situação delicada. Imagina substituir um trabalho perfeito! Na época, todos que entraram sofreram com comparações e comigo não foi diferente.

N.V – Ainda dubla o personagem?

Rodrigo – Sim. Recentemente, dublei episódios da 23ª temporada.

N.V – Já que falou em comparações, o que as pessoas dizem de seu trabalho em relação ao que era feito pelo antigo dublador do Bart?

Rodrigo Antas, em Estúdio (foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo - Muitos acham que o Bart era bem mais malandro antes. Mas se você observar bem a série, os personagens mudaram bastante nesses 23 anos. O Bart era mais sarcástico e maldoso e a partir da 10ª temporada, mais ou menos, continuou sendo o Bart que faz travessuras e tudo mais. Mas volta e meia tem crise de identidade e quer ser bom (risos). Bom, se a série é feita assim, não posso querer mudar o personagem, né? O Homer ficou mais bobo. E mais burro. Enfim, tudo isso passa muito pela construção original dos personagens lá fora. Mas, claro que adoro brincar e fazer ele malandro, quando a cena me permite.

N.V – Você já teve algum tipo de enfrentamento por parte de algum fã da série, que chegou a criticar seu trabalho do personagem?

 

Rodrigo – Já li diversas críticas, principalmente quando a internet começava a virar febre. Eu tinha 12, 13 anos e lia coisas que me magoavam bastante na época. Mas hoje em dia acho graça de tudo isso e entendo os fãs da série que estavam acostumados com outro trabalho, sejamos sinceros, bem superior ao que eu apresentei nas primeiras temporadas. Eu mesmo, como telespectador, me irrito com trocas de voz repentinas.

N.V- O que você acha desses critérios utilizados por distribuidores ou até mesmo diretores de dublagem, quando resolvem mudar, assim ‘do nada’, as vozes de personagens?

Rodrigo – Isso é bem complicado. As trocas de vozes nas produções podem acontecer por ‘n’ motivos. Às vezes, o próprio dublador não quer mais fazer ou o dublador não trabalha na empresa em que a produção vai ser dublada, por motivos pessoais. Mas em geral, a escolha das vozes é bem complexa. Citando um exemplo meu. Eu dublei o Jonah Hill em algumas produções como Superbad. Mas, de repente, no próximo filme dele, ele vem como um pai de família, mais velho. Isso vai exigir uma voz mais experiente do que a minha dublando ele. Não tem como fugir disso.

N.V – E como foi ganhar a tarefa de dublar o Drew, de Todo Mundo Odeia o Chris, após uma troca do elenco infantil de dublagem?

Rodrigo – Essa troca aconteceu por questões jurídicas. A VTI teve uns problemas com menores de idade e preferiu substituí-los e colocar maiores de idade para dublar Chris, Drew, Tonya e os demais.

 

N.V – E você é conhecido pela voz na rua, no dia a dia, sendo ligado a este ou aquele personagem?

Rodrigo – Não. Não tenho a voz tão marcante como a de outros colegas. O máximo que já conheceram foi a minha risada, que segundo meus amigos,”é igual à do Bart” (risos).

 

N.V – Você tem preferência por papéis ou não importa?

Rodrigo – Meu papel preferido é o oferecido (risos). Mas geralmente me escalam pra fazer papéis mais engraçados e eu gosto muito. Me divirto fazendo.

***

Rodrigo Antas é tema da Nossa Versão na Revista Sala de Cinema de Maio/Junho

About these ads

Posted on Maio 9, 2012, in Entrevista and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. 2 Comentários.

  1. olivia pasini brusamolin

    Rodrigo Antas eu acho que sua voz fica perfeita para o Bart, que é o meu personagem favorito. Sua voz é linda, de verdade. parebéns você é um ótimo dublador. os outros dubladores dos simpsons também são ótimos.

  2. claudia caeatno chagas gon

    Olá Rodrigo, tudo bet ? A sua voz ficou perfeita dublando o “Barth, não tirando o merito dos antigos dubladores, mas a sua ficou irado….. Não perco um episodio. Bjus.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: