Dublagem: que “bicho” é esse?

Por Fábio Cavalcante

Muitos nem imaginam o que seja; outros até sabem do que se trata, porém ignoram ou simplesmente rejeitam. Mas a verdade é que todo mundo conviveu e ainda convive com essa que, para meio mundo de gente, é uma fabulosa arte: a dublagem.

Estúdio de dublagem: de onde saem muitas das vozes brasileiras das produções que você gosta, como novelas, filmes, desenhos, etc.

Trata-se da substituição das vozes originais de uma produção estrangeira (um filme, uma série, uma novela ou um desenho animado) pelas vozes em idioma local, no nosso caso, em português. E isso não se limita apenas em trocar de vozes e “traduzir” para o nosso idioma. Um dos fortes pilares da dublagem brasileira é a interpretação.

Assim, para ser dublador é preciso ser ator, pois juridicamente falando, não existe a profissão de “dublador” e sim de “ator com especialização em dublagem”, ou simplesmente “ator em dublagem”. A tarefa então exige que o profissional transmita com a voz a mesma emoção que é passada na obra original.

Quem nunca ouviu no início de um filme ou desenho a frase “Versão brasileira: Herbert Richers” (ou Álamo, CineVideo, AudioNews, etc.)? É uma referência a alguns estúdios de dublagem onde a versão brasileira passar a ser trabalhada.

No Brasil, tais estúdios estão localizados em apenas dois estados brasileiros: Rio de Janeiro e São Paulo, o que acabou gerando as duas principais divisões da dublagem no país: “Dublagem paulista” e “Dublagem carioca” (nas próximas edições, vamos abordar melhor o assunto com mais detalhes).

Flávio Back, dublador: “Enquanto tivermos idosos, crianças e pessoas que gostem da sua língua pátria, a dublagem sempre vai existir”

Hoje, com o advento da globalização, a proliferação dos cursos de idiomas e a baixa nas tarifas das TVs por assinatura, muitas pessoas se renderam aos filmes legendados, e assim, passaram a tratar com ojeriza os filmes dublados. Engraçado, mas até surgem campanhas na internet para que todas as produções estrangeiras sejam exibidas no Brasil no idioma original. E com legendas. Ou seja, querem o fim da dublagem.

Há treze anos na profissão, o dublador Flávio Back salienta que muitas pessoas até gostam de filmes dublados, mas têm vergonha de admitir pois é mais ‘chique’ dizer que só assiste filmes no original.  Ele garante que a dublagem nunca vai acabar (e que assim Deus lhe ouça), devido o seu alto valor social.

“Enquanto morarmos em um país com um índice gigante de analfabetos, tivermos idosos, crianças e pessoas que gostem da sua língua pátria, a dublagem sempre vai existir”.

Posted on Dezembro 15, 2011, in Notícias. Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. Parabéns pela iniciativa!!! Ótimo texto!

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