Canais por assinatura devem dublar a programação?

A revista trouxe, na sessão Debates, uma enquente sobre a dublagem nas programações da TV paga

A revista Mundo Estranho, da Editora Abril, publicou na edição deste mês um pequeno debate a respeito da dublagem em filmes, que são exibidos em canais por assinatura como Fox, HBO 2, Telecine, entre outros. Como é de praxe, são exibidos em duas colunas os comentários favoráveis e não favoráveis ao tema proposto. O blog Nossa Versão publica aqui os comentários apresentados e comenta cada ponto:

SIM

  • Um recente estudo da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) revelou que 33, 3% dos domicílios com TV paga estão na classe C (contra 27,5%, em 2010) e 73% dos assinantes da classe média preferem assistir a filmes dublados porque se habituaram à TV aberta. Coincidência ou não, canais dublados, como TNT e Telecine Pipoca, estão entre os mais vistos.

ð  De fato, como já anunciamos aqui na coluna Looping, o ‘povão’ está aderindo cada vez à TV Paga. E, como as empresas trabalham com demandas, é óbvio que elas vão optar pelo público que é maioria. E se esse mesmo público quer filmes dublados, danem-se os demais! Eles terão filmes dublados. Claro que, nossa opinião é que ambos os grupos, os que preferem filmes dublados e os que querem legendas, sejam agraciados, sem privilégios para um ou outro.     

  

  • A dublagem atende a um número maior de espectadores, como deficientes visuais, crianças que ainda não aprenderam a ler e idosos que não enxergam as legendas. Além disso, quem não domina o inglês, ou o espanhol, perde muita coisa do que está sendo dito em um filme porque a legenda precisa ser concisa e respeitar um número máximo de caracteres”.

ð  É a tecla que sempre batemos aqui no blog. E a revista não mencionou o público que ama seu idioma, o português, e que gosta das inflexões e expressões ‘abrasileiradas’ nos filmes estrangeiros. Quanto à legenda, imaginem duas ou três pessoas falando ao mesmo tempo? Fica inconcebível acompanhar diálogos assim pelas legendas!

  • A dublagem não obriga ninguém a ficar lendo a legenda o tempo todo. Com isso, a pessoa pode prestar atenção na interpretação dos atores, no enquadramento das câmeras ou em outros detalhes. Ou, nestes tempos de múltiplos estímulos, ela pode simplesmente fazer outras coisas enquanto assiste a TV, como conversar no MSN, preparar o almoço e trabalhar no computador.

ð  Não precisa nem comentar essa parte, a não ser ressaltar que muitos profissionais e especialistas garantem que, no caso de um filme legendado, o espectador perde de 30% a 70% da imagem.

  • O nível de alfabetização no Brasil é relativamente baixo. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, 20,3% dos brasileiros são analfabetos funcionais – ou seja, não conseguem interpretar textos mais complexos. Por que privar essas pessoas de ver TV? O correto, porém, seria sempre oferecer a tecla SAP para agradar a todos”.

ð  Concordamos plenamente. Será que o seu João, que após vender muita cerveja na praia (e com isso conseguiu grana o suficiente para manter uma TV por assinatura em sua humilde casinha) não tem direito de assistir seus filmes favoritos em seu próprio idioma?  Quanto à tecla SAP, é uma opção que deve ser respeitada pelas emissoras de TV.

Agora vamos às opiniões mais polêmicas:

NÃO  

  • A dublagem propõe ‘liberdades’ que atrapalham a imersão no filme ou na série. Como aceitar um personagem típico de Nova York falando ‘Caraca, mermão!’ ou um bandido barra pesada soltando um educado ‘Filho da Mãe!’? Isso sem falar em casos como os dos atores Will Smith, Denzel Washington, Morgan Freeman e Jackie Chan, todos com a mesma voz, a do dublador Márcio Simões.”

ð  Também já batemos muito nessa tecla, no que se diz respeito a adaptações. Ressaltamos que há muitas expressões típicas dos norte-americanos, por exemplo, que se fossem traduzidas ao pé da letra para o português, não fariam sentido alguém. A saída é sempre buscar em nosso idioma algo equivalente. Quanto aos palavrões, apesar de não sermos favoráveis a termos chulos, há quem goste. E se nos filmes brasileiros os personagens falam tudo a torto e a direito, por que nãos os americanos?

  • Com a dublagem, perdem-se vários elementos sonoros, como ruídos, trilhas (incidentais e instrumentais) e som ambiente. Parece besteira? Não é: há até uma categoria no Oscar para isso, a de melhor som. O botão SAP, que poderia eveitar o problema ao trocar a dublagem pelo som original, ainda não foi adotado da maneira correta pelos canais por que acarreta um custo elevado”.

ð  Até parecemos que ainda vivemos na época em que os filmes vinham somente com a imagem, quando os estúdios brasileiros tinha que simplesmente refazer toda a trilha sonora! Queridos, sei que alguns filmes ‘pecam’ nesse quesito, mas são raros. Isso por que, quando um filme é enviado para ser dublado no país ele vem separado: imagem e ME (músicas e efeitos). Dificilmente acontece isso que foi apresentado pela revista.

  •  “O som original ensina outro idioma. Segundo um estudo de Wellington Borges, do Departamento de Letras da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o filme com legenda facilita a compreensão do inglês e melhora a fluência e a pronúncia do espectador. Esse tipo de longa conta com diálogos mais realistas e espontâneos do que os filmes didáticos usados em sala de aula.

ð  O comentário é legítimo e faz todo o sentido. Mas, digam-nos: Quem, por Deus, quer saber de aprender inglês durante um filme, de ação principalmente? Se quiser aperfeiçoar o seu inglês através do filme, pegue o título numa locadora, mude o idioma e seja feliz!

  • “A dublagem elimina detalhes das interpretações dos atores, como a dicção e o jeito típico no tom de voz de um personagem. É o caso do Dr. House (Hugh Laurie), que tem seu sarcasmo único, e da Glória (Sofia Vergara), de Modern Familly, com seu forte sotaque. Além disso, a dublagem serve como desculpa para não ler – e a leitura sempre deve ser estimulada.”

ð  Infelizmente, essa questão da interpretação dos atores originais que não são ‘traduzidos’ ou ‘adaptados’ para o português é verdade. Muitos dubladores, em sua ânsia de dar sua versão e tentar “melhorar” o personagem, acabam estragando o que foi feito. Mas isso, em nossa opinião, não acontece com Luís Antônio Lobue, que dá a voz ao Dr. House. Inclusive, acreditamos que a voz dele se assemelha muito à de Hugh Larie (podem discordar, se quiserem). Quanto a essa questão da leitura, em muitos casos, como já citamos no início, a opção da dublagem não é questão de desculpa por não querer ler. Para muitos é uma necessidade. Não vamos agir com ignorância, minha gente! A maioria do povo brasileiro é analfabeto não por que quis ser, mas porque não tiveram oportunidades.

Posted on Março 15, 2012, in Análise de dublagens, Notícias and tagged , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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